Boletim Letras 360º #211

Bertolt Brecht: ganha edição um texto inédito do escritor no Brasil


Os leitores que acompanham o Letras desde tempos remotos sabem do nosso esforço por oferecer conteúdo de qualidade e a prova disso está no reconhecimento que silenciosamente galgamos dia após dia. Em 2017, marca-se a passagem de 10 anos online. E já agora apresentamos a primeira das novidades para marcar essa data: inauguramos uma nova interface. Ainda na construção dos ajustes, mas com conteúdo integralmente acessível (quer dizer, quase, que ainda há postagens em revisão). Breve anunciaremos a chegada de novos colaboradores. E assim seguimos – até quando formos possível seguir. Aproveitamos para assinalar duas outras boas notícias: sai hoje o resultado da promoção que sorteia um exemplar de A montanha mágica, de Thomas Mann (Companhia das Letras); e a nossa página no Facebook ultrapassou os 61 mil seguidores! Somos muito gratos.

Segunda-feira, 20/03

>>> Brasil: Um livro, dois inéditos: edição reúne textos de Friedrich Schlegel sobre a poesia

O autor foi uma voz determinante para os movimentos literários europeus do século XIX. Seus aforismos, publicados na revista Athenaeum, que dirigiu entre 1798 e 1800, foram a base sobre a qual se edificou o primeiro romantismo alemão. Em Fragmentos sobre poesia e literatura (1797-1803), lançamento da Editora Unesp que traz também, no mesmo volume, Conversa sobre poesia, pode-se conferir essa escrita que busca, em forma de diálogos, refletir sobre o significado da vida e da arte. A tradução dos textos foi feita por Constantino Luz de Medeiros e Márcio Suzuki.

>>> Brasil: Obra que reúne todos os contos de Dostoiévski tem textos totalmente inéditos no Brasil

Foi em janeiro quando divulgamos da chegada ao Brasil de uma edição com a contística de um dos mais importantes nomes da literatura russa. A obra chega às livrarias na segunda quinzena de abril. Entre os textos, cinco são totalmente inéditos por aqui: "Como é perigoso entregar-se a sonhos de vaidade", "Pequenos quadros (durante uma viagem)", "Plano para uma novela de acusação da vida contemporânea", "O tritão" e "Domovoi" – este publicado em anexo como um texto inacabado, encontrado em meio aos papéis do autor após a sua morte. Outros têm pela primeira a tradução direta do russo; entre eles: "Romance em nove cartas", "Um menino na festa de Natal de Cristo", "Dois suicídios" e "Uma história da vida infantil". Além disso, outros três contos inéditos no país enquanto narrativas separadas: "A mulher do outro" "O marido ciumento", originalmente publicados como "A mulher do outro e o marido debaixo da cama", e "Histórias de um homem vivido", um conto em duas partes. Ao todo são 28 contos escritos entre 1846 a 1880. A edição é da Editora 34.

Terça-feira, 21/03

>>> Brasil: Após a edição do Livro do desassossego, a Global Editora apresenta mais um trabalho da pesquisadora Teresa Rita Lopes, Vida e obras de Alberto Caeiro

No dizer de Pessoa, Alberto Caeiro "nasceu em Lisboa mas viveu quase toda a sua vida no campo"; “morreram-lhe cedo o pai e a mãe” e, por isso "vivia com uma tia velha, tia-avó”; “não teve mais educação que quase nenhuma, só a instrução primária". E acrescenta, invejando-lhe seguramente a sorte de não ter sido obrigado, como ele, à escravatura de um ganha-pão: "Deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos". Aduante, comenta: "Pus em Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática". Na edição Vida e obras de Alberto Caeiro, os três “livros” do heterônimo dão (1) notícia dessa vida sem acontecimentos, exceto a "doença" do episódio amoroso. O segundo livro se compõe por nove poemas e o terceiro, "Andaime – Poemas Inconjuntos", segue, como um diário, a evolução de uma doença, neste caso a tuberculose, que o vitimou.

>>> Brasil: A editora Massangana, da Fundação Joaquim Nabuco, prepara uma coleção de volumes com seletas de autores brasileiros em domínio público, realizada por escritores e críticos

Os dois primeiros serão Machado de Assis, com organização de Luiz Ruffato, e Lima Barreto, com organização de Flora Süssekind. Os dois também publicam ensaios explicando o recorte na obra de cada autor. A coleção é coordenada por Schneider Carpeggiani.

>>> Brasil: Morreu a poeta Eunice Arruda

A poeta nasceu em Santa Rita do Passa Quatro, São Paulo, em 1939. Publicou o seu primeiro livro de poemas, É tempo de noite, em 1960. Integrou a Coleção Novíssimos, organizada pelo editor Massao Ohno e que deu visibilidade a importantes poetas dos anos 1960. Além da coleção e do livro de estreia, Eunice publicou mais de uma dezena de livros, entre eles O chão batido, Há estações e Poesia reunida. Tem poemas publicados em antologias de outros países, como França, Estados Unidos e Itália. Em 1974, venceu o Concurso de Poesia Pablo Neruda e em 1997 recebeu o Mérito Cultural, dado pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.

Quarta-feira, 22/03

>>> Brasil: Um relicário sobre o tema da jornada ou um itinerário poético de Cecília Meireles

Um dos livros mais célebres da poeta brasileira, Viagem, de 1939, é profundamente marcado pelo universo de sensações que o deslocamento no espaço e no tempo proporcionam. Além desse título, Cecília compôs outro conjunto de versos nos quais a tópica da jornada vincou fortemente sua criação poética: Poemas de viagens. Menos conhecidos, mas igualmente luminosos, eles integraram o volume nove das Poesias completas da autora, publicadas nos anos 1970. Escritos entre os anos de 1940 e 1964, estes poemas saem agora pela Global Editora pela primeira vez em volume separado, o que se configura numa oportunidade ímpar para os leitores embarcarem de braços dados com Cecília neste caleidoscópio de situações novas transmutadas pela sensibilidade da autora em versos de arrojado lirismo. A passagem por países como México, Estados Unidos, Holanda, Suíça, Portugal, Marrocos, China e outros foram o substrato para que nossa maior poeta dessa origem a um relicário de versos de rara beleza. Muito recente, sobre o tema, a mesma editora publicou uma coletânea de crônicas da autora.

>>> Brasil: Outros títulos por vir no terceiro ano da Editora Carambaia

Nas previsões de lançamento publicadas por aqui em postagens passadas lembramos os leitores sobre algumas novidades que a editora há dois anos no mercado editorial sempre com excelentes publicações havia prometido. Entre, eles estavam uma caixa com obras de H. G. Wells (O dorminhoco e A guerra do ar), um livro de Jules Verne (O testamento de um excêntrico) e outro do Marquês de Sade (Novelas trágicas). Além desses, está prometido Uma gozação bem sucedida de Italo Svevo. A editora se lançou no mercado em 2015, com a proposta de publicar livros com textos literários de qualidade, de autores nacionais e estrangeiros, inéditos ou esgotados há tempos no Brasil. Os volumes são bem cuidados graficamente e têm tiragem limitada. Designers, tradutores, organizadores e ensaístas participam de todo o processo de produção, discutindo as particularidades do autor e da obra, para que o livro apresente um projeto gráfico que dialogue com seu conteúdo. Todos os títulos do catálogo têm tiragem única de mil exemplares e cada volume é numerado manualmente.

Quinta-feira, 23/03

>>> Brasil: Livro inédito de Bertolt Brecht 

Conversas de refugiados foram escritas por um dos maiores dramaturgos do século XX nos anos 1940 durante seu exílio na Finlândia e nos Estados Unidos, quando fugia do nazismo. Dando tratamento moderno à forma antiga do diálogo platônico, Brecht exerce aqui toda a inventiva que é a marca de suas peças. Pela primeira vez traduzidas para o português, as conversas entre o pesquisador Ziffel e o operário Kalle tratam de um tema de urgente atualidade: a condição nômade, cheia de incertezas, de pessoas que precisam deixar para trás tudo o que têm, devido à guerra ou à perseguição política. A tradução de Tercio Redondo e a edição é da Editora 34.

Sexta-feira, 24/03

>>> Brasil: A primeira antologia que reúne os autores clássicos da literatura holandesa chega ao país

É inegável o trabalho de divulgação dos escritores holandeses no Brasil pelas mãos de Daniel Dago. O tradutor cuidou da seleção, organização e tradução de um conjunto de textos cujo propósito é revelar ao leitor brasileiro uma seara praticamente desconhecida por aqui. Contos holandeses (1839 - 1939) reúne nomes como Hildebrand, Multatuli, Jacobus van Looy, Arnold Aletrino, Herman Heijermans, Jacob Israël de Haan, Carry van Bruggen, Louis Couperus, Marcellus Emants, Theo Thijssen, Jan Jacob Slauerhoff, Edgar du Perron, Aart van der Leeuw e Hendrik Marsman. Se os textos aí reunidos são inéditos no Brasil, outra grande parte das traduções são inéditas mesmo fora do país natal dos escritores. A edição é da Editora Zuok.

>>> Portugal: A celebração dos 35 anos de uma obra-prima da literatura de língua portuguesa

Trata-se de Memorial do convento, de José Saramago. Para marcar a data, a Fundação José Saramago, o Palácio Nacional de Mafra e a Câmara Municipal de Mafra patrocinam a exposição "Era uma vez um rei devoto, um padre que queria voar e uma mulher com poderes". Com curadoria de Filomena Oliveira e Miguel Real e projeto expositivo da Silvadesigners, o evento expõe parte do espólio de José Saramago destinado à escrita do romance, bem como se ilustra este através da obra pictórica de José Santa- Bárbara, em cujos quadros Saramago diz ter descoberto o rosto de Blimunda. Em 2017, comemoram-se também os 300 anos da colocação da primeira pedra para a construção do Palácio de Mafra.

>>> Estados Unidos: Encontrado um texto com a versão de Richard Hickock, um dos assassinos retratados em A sangue frio, de Truman Capote

O escritor esteve com Hickock reiteradas vezes no corredor da morte. Mas, nunca falou sobre uma versão do texto de quase 200 páginas. Durante meio século, a versão do assassino permaneceu esquecia até vir a lume depois de uma investigação do The Wall Street Journal. O escrito traz à tona a narrativa sobre a noite de 15 de novembro de 1959 com a mesma frieza com que Capote recria a situação em A sangue frio. Não há arrependimento, sem silenciamento; só o horror da família Clutter depois de surpreendidos por Hickock e seu amigo Perry Smith no seu sítio em Holcomb, Kansas. A diferença entre o texto de Hickock e o de Capote é que o assassino sustenta a tese de que o crime foi por encomenda – mas não oferece muitos detalhes. Apenas que um tal de Roberts teria pago dez mil dólares para a execução. A versão também não bate com a assumida pelo juiz, que diz que Hickock e Smith foram à fazenda convencidos de que o Sr. Clutter guardava dez mil dólares e, ao não encontrar o dinheiro, deram cabo da família. Depois de pronto o texto foi enviado a um jornalista do Kansas chamado Mack Nations. Este fez duas cópias: a primeira enviou em 1962 a um advogado de acusação; a outra, depois de uma curta reelaboração, para a editora Random House. Tudo sem sucesso. A acusação nada fez com o documento e a editora, que já havia assinado um contrato com Capote, devolveu o texto. Sabe-se que o escritor travou outras batalhas para que o manuscrito não viesse a lume. Capote tentou por todos os meios desfazer-se do manuscrito; buscou Hickock reiteradas vezes para comprá-lo. Os assassinos foram enforcados em abril de 1965 e no ano seguinte publicou-se A sangue frio, que alcançou fama mundial. Nations morreu num acidente de carro e a única cópia agora encontrada foi a do advogado de acusação deixada em testamento para seu filho.

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