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Mostrando postagens de Março 21, 2017

A casa de ler no escuro, de Maria Azenha

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Por Pedro Fernandes

A vida pode ser uma mulher atravessando a rua A mulher pode ser uma criança com uma flor de cinzas na boca A flor pode ser um homem enforcado na lua
Os versos que abrem este texto são do poema “Aviso”, do livro A casa de ler no escuro, um dos vários títulos da poeta portuguesa Maria Azenha – este publicado no Brasil e entre os melhores de poesia editados por aqui em 2016. Antes de olhar mais de perto a antologia, é preciso sublinhar que o livro é um pequeno ponto na constelação poética da poeta, porque sua singularidade divide lugar com outros poemas como os reunidos em De amor ardem os bosques.
Neste, há todo um trabalho em torno da palavra que nomeia a obra, o que não chega a constituir o diferencial de A casa, porque aí as preocupações do eu-poético são também outras. Mas, em De amor tudo está alinhado para um só propósito e sua poesia é percepção simbólica em torno de uma palavra, como águas que correm para um mesmo reservatório. Trata-se de uma poesia cujo in…