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Mostrando postagens de Março 27, 2017

Baudelaire & Poe, Ltda.

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Por Rafael Ruiz

Leia-me e saberás me amar. Assim adverte Baudelaire seus leitores. E faz, além disso, num dos melhores livros da história da literatura: As flores do mal. Isto de leia-me e saberás me amar sempre me pareceu um convite mágico, desafiante e até corajoso, mas sobretudo triste. Baudelaire foi acima de tudo um necessitado de amor. Desde seu sentimento de dândi, desde seus poemas retorcidos, desde sua fama de depreciar tudo e todos, dá continuamente a impressão de buscar amor no artifício das letras, no jogo de inteligências da palavra escrita. O mesmo ocorre com Poe, um que alguém aprende a amá-lo como pessoa lendo-o. Não leia sua biografia, nem mergulhe em seu anedotário e muito menos no que os seus contemporâneos afirmam que fez ou deixou de fazer. Apenas leia-o e saberá amá-lo. Baudelaire e Poe forjaram um tipo de leitor que poderia entendê-los e estavam seguros de que se alguém os lessem adequadamente os amariam de maneira incondicional. Tinham razão e por isso encontra…