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Mostrando postagens de Abril 14, 2017

O romance como escrita e leitura dissidentes

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Por Rafael Kafka


Milan Kundera, em seu livro de ensaios Os testamentos traídos, analisa a moralidade do romance como ligado à suspensão de qualquer juízo moral. Tal estatuto pode ser afirmado como pertencente a qualquer gênero de arte, mas por seu caráter de escrita em prosa e narrativa o romance pode enganar leitores incautos e soar como algo didático. Mas a arte ensina sem querer ensinar por meio da provocação, da catarse e da descompressão do ser.
Entendemos melhor a amoralidade do romance ignorada por muitos leitores – e eu diria até mesmo por alguns escritores que se querem sacerdotes da sabedoria moral – quando comparamos a escrita romanesca com a do poema: o gênero lírico é altamente imagético e é lido por nós mais como uma pintura escrita do que como literatura em si mesma. Somos tocados pelo poema pelo poder catártico de uma escrita feita para encantar e que não esconde o seu intento.
Por esse motivo, Sartre disse ser impossível falar em engajamento da poesia. Nela, a palavra…