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Mostrando postagens de Abril 17, 2017

Yorick, embaixador da morte

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Por Rafael Ruiz

Não nada que eu goste mais na literatura que sua capacidade em produzir mitos. E de todos os mais conhecidos (os moinhos de Dom Quixote e a loucura, Moby Dick e a ambição do homem, os círculos do inferno de Dante e o castigo justo por nossas vidas), nenhum me seduz mais que a caveira de Yorick, uma imagem capaz de resumir toda uma história da literatura.
Quando uma obra é tão popular como Hamlet, no momento em que o público se senta no teatro não decide ver uma representação, mas uma atualização do mito. O espectador deseja, de uma maneira consciente ou inconsciente, que esse novo avatar do enredo responda à altura pela imagem idealizada que tem do texto. Como consequência, cada nova montagem da obra luta – desde há séculos, não esqueçamos – por se defender a si própria como projeto e ser capaz de estabelecer um diálogo satisfatório com a memória de cada espectador. A explicação sensível do fenômeno é que contemplar um clássico no palco não se reduz ao processo de recon…