sábado, 21 de janeiro de 2017

Boletim Letras 360º #202

Aqui estamos com mais uma edição das notícias que foram publicadas durante mais uma semana na página do Letras no Facebook; semana em que ganhamos mais 2 mil amigos. Somos já uma cidade de médio porte de pessoas que nutrem alguma finalidade com o universo literário. De novo dizemos: obrigado!

Ana Cristina Cesar vista por João Almino. A imagem pertence a uma sessão de fotos realizadas pelo escritor em Paris e reunidas agora na edição n.13 da Revista 7faces. Mais detalhes ao longo deste Boletim.


Segunda-feira, 16/01

>>> Brasil: Projeto visa sublinhar relações com obras literárias adaptadas para a televisão

A Rede Globo publicará Caderno Globo. Assista a esse livro com reflexões sobre adaptações literárias e formas de incentivo à leitura. A publicação reunirá textos inspirados na adaptação de Dois irmãos. O projeto também publicará e-books de títulos adaptados para a TV com cenas conectadas. O primeiro da série será Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado, em parceria com a Companhia das Letras. Estão programados para sair depois, o livro de Milton Hatoum, O canto da sereia, de Nelson Motta e O homem que sabia javanês, de Lima Barreto.

Terça-feira, 17/01

>>> Brasil: De cara nova, a José Olympio prepara reedições e inéditos para 2017

Uma das novidades é a migração da obra de Juan Rulfo da Record para o selo: o momento será marcado com uma edição nova do conto "O galo de ouro", aumentada com novos textos dispersos do escritor mexicano, cujo centenário é celebrado agora em 2017. Ainda entre as reedições sairão obras de nomes como Henry Miller e Elias Canetti. Já dos inéditos, a casa publica o novo livro de Tatiana Salem Levy.

Quarta-feira, 18/01

>>> Brasil: Foi publicada a edição n.13 da Revista 7faces. O periódico dedica atenção à obra de Ana Cristina Cesar

Havia quase dois semestres que este número fora anunciado. Mas, eis uma edição que justifica o atraso. Além de fotografias (destaque para o ensaio inédito realizado por João Almino em Paris) imagem), reproduções de poemas, manuscritos, datiloscritos, falam sobre o trabalho literário de Ana, Cesar Kiraly, Bárbara Belloc e Armando Freitas Filho. Compõe a edição poemas de poetas de várias partes do Brasil: Lau Siqueira, Jørge Pereira, Fernanda Fatureto, Douglas Siqueira, Laís Araruna de Aquino, Marina dos Reis, Salvador Scarpelli, Leandro Rodrigues, Lúcio Carvalho, Karin Krogh, Jeovane de Oliveira Cazer, Cristiane Grando, João Pedro S. Liossi, Luís Otávio Hott, Ricardo Abdala, Nivaldete Ferreira, Carlos Barata, Laís Ferreira Oliveira e Fernanda Pacheco. A edição eletrônica e gratuita está acessível através do endereço que passou por uma revisão no intuito de ressignificar o espaço online.

Quinta-feira, 19/01

>>> França: Uma fotografia inédita de Chopin, confirma o Instituto Polonês de Paris

A descoberta é uma surpresa de grandes proporções para o universo da música clássica. O documento estava na casa de um colecionador e a revelação foi do físico suíço M. Alain Kohler, especialista na obra do compositor polonês. Junto com Gilles Bencimon, da Rádio France Internacionale, a investigação de Kohler foi respaldada por outros especialistas na biografia do pianista. A foto foi realizada em 1847, aproximadamente, no estúdio de Louis-Auguste Bisson, em Paris. É o terceiro retrato do qual se tem notícia de Chopin. Esta não é a primeira descoberta de Kohler. Há alguns anos, ele descobriu que um piano que um alemão guardava em casa, um Pleyel 11265, havia pertencido a Chopin entre o inverno e a primavera de 1844 e 1845, quando este residiu na Praça de Orleans, em Paris. Sobre daguerreótipos originais do compositor perdidos durante a Segunda Guerra Mundial, não se conhece até agora nada, salvo reproduções. Tomados entre 1840 e 1845, o primeiro é de uma qualidade medíocre. O segundo, realizado por volta de 1847 e universalmente reconhecido, mostra o pianista atormentado e marcado pela enfermidade. Também é do estúdio de Bisson.

Sexta-feira, 20/01

>>> Brasil: Livro reunirá entrevistas de Ricardo Piglia

Trata-se de Meios e fins e é publicado pelo selo editoral Peixe-elétrico da e-galáxia. A edição estava programada para sair em novembro de 2016. O e-book é a transcrição de uma longa conversa acontecida em 2010 entre o escritor argentino e colegas da Universidade Princeton; com prefácio de Paul Firbas e tradução de Marina Bedran supervisionada por Pedro Meira Monteiro.

>>> Brasil: A febre Macunaíma entre os editores. Nova edição voltada para alunos do Ensino Médio reúne 520 notas explicativas da escritora Noemi Jaffe

Da união de diversos mitos, folclores, músicas populares e lendas de todo Brasil nasceu Macunaíma do fundo do mato-virgem - é sempre dessa maneira que nos é descrita a personagem e a narrativa de Mário de Andrade. A obra que entrou em domínio público ganha das edições sofisticadas (como o projeto editorial da Ateliê) às mais simples (como a da Penguin / Companhia). A edição da FTD reúne, além das notas um posfácio, também de Jaffe, e ilustrações de Mariana Zanetti.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares


Por Pedro Fernandes



“A verdadeira vida está em outra parte”. A frase, se não com essas letras mas com esse sentido – de que a vida que vivemos é um simulacro ou cópia de outra que se passa noutro plano – é do poeta francês Arthur Rimbaud. Ela é um eco das reflexões de Platão que diferenciam o mundo real e o mundo das ideias, repetida mais uma vez na célebre parábola da caverna. É esse imaginário que encontra reverberação profunda na cultura ocidental cristã através da ideia de vida eterna e depois, com as criações tecnológicas que primeiro buscaram romper com as ausências de sentidos sobre o outro e já agora projetam a construção de conglomerados virtuais onde se é possível forjar outras realidades possíveis num exercício muitas vezes de sobreposição ao que se tem como verdade palpável.

Pois bem, se todo esforço humano esteve canalizado em pensar e agora forjar essa realidade fora do comum, numa era de simulacros como a que vivemos, A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares, encontra ainda mais coerência que quando foi publicado – o texto é de 1940. Esta relação de quase-total aderência ao nosso contexto não apenas renova sua importância entre as obras inovadoras; esclarece como os conceitos são mutáveis ao longo da história. Usualmente, esta foi uma obra assinalada entre as produções literárias de cunho fantástico e de ficção científica e agora pela correlação de situações evocadas com a realidade de fora da narrativa já terá essa condição alterada para que situemos, claro sem desprezar o período de sua composição, entre as cunho realista, o que, por sua vez, atualiza também a ideia que se concebeu sobre o termo realismo, partilhando, evidentemente da noção não de período literário mas do advogado por Auerbach na arqueologia que faz do ideal mimético – outro conceito cuja base tem suas raízes nessa correlação de universos – um princípio de organização do narrado.

A invenção de Morel ensaia ainda fundir a narrativa de cariz policial com a psicológica – claro, Bioy habita um período fruto de uma geração literária profundamente afetada pela escrita de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, pelos romances de Virginia Woolf, William Faulkner e outras narrativas que subverteram profundamente a necessidade de organização lógica e usual da história. A tarefa de fundir um tipo de narrativa em que cada elemento precisa encontrar sua condição ideal de sentido – como é a policial – e outra cujo efeito é justamente o contrário, o de ludibriar o leitor pela confusão dos sentidos, se a princípio pode parecer inusual ou mesmo inalcançável, vê-se, foi uma das mais inovadoras para essa obra.

Mas, o que tem de fantástico, policial e psicológico em A invenção de Morel? E de ficção científica? O fantástico se manifesta quando, por mais que o narrador se esforce no trabalho de provar ao narratário que o que narra é uma verdade – questionável até, mas irrevogável – tudo, aos sentidos do narrador encontra-se envolvido numa atmosfera em suspensão, povoada de elucubrações poéticas: “Disponho de um dado que pode servir para que os leitores deste diário saibam a data da segunda aparição dos intrusos: as duas luas e os dois sóis foram visíveis no dia seguinte. Poderia tratar-se de uma aparição local; acho mais provável, porém que seja um fenômeno de miragem, feito de lua e sol, mar e ar, visível, certamente de Rabaul e de toda a região. Tenho notado que nesse segundo sol – talvez imagem de outro – é muito mais violento. Parece-me que entre anteontem e ontem houve um aumento infernal da temperatura. É como se o novo sol tivesse trazido um verão extremo à primavera. As noites são muito claras: há uma espécie de reflexo polar vagando no ar. Mas imagino que as duas luas e os dois sóis não sejam de grande interesse; devem ter chegado a todo lugar, pelo céu ou por informações mais doutas e completas”.

Na composição de Bioy Casares, no intuito de integrar sua obra entre aquelas de protocolos realistas, retoma outra atitude escritural presente nas narrativas do tipo: a presença de um narrador que, qual um historiador interessado na limpidez dos fatos, se preocupa em repassar o documentado usando apenas inserções que visam corroborá-lo. Apesar de, nesse caso, não encontrarmo-nos diante de alguém que encontrou ou recebeu um antigo manuscrito, mas a presença dessa figura se manifesta nas notas de rodapé que visam cumprir com o papel deste gênero textual – explicar o que o texto não pode explicar no interior de seu fluxo. Aqui, as notas respondem pelo trabalho de não interferência nos escritos agora revelados.



A invenção de Morel se compõe como se um diário; escrito por alguém que, aparentemente cansado do lugar-comum no mundo decide seguir os conselhos de um negociante italiano de tapetes em Calcutá de ir para uma ilha deserta famosa pela lenda de não escapar ninguém dos que a ela conseguiram chegar. Transbordando honestidade – porque desde logo sabemos que esse narrador cansado do lugar-comum no mundo não é apenas mais um movido pelo interesse de fuga para uma ilha onde possa se ver livre da existência mesquinha e dos outros que lhe cercam mas um fugitivo acusado de cometer um crime que não cometeu – eis o caráter de depoimento que reveste a estrutura narrativa desse diário. E está aqui o tom policialesco construído pelo escritor argentino: desde que chega a ilha, esse sobrevivente vive na surdina, principalmente porque descobre não está numa ilha totalmente deserta como foi-lhe informado. Há uma presença contínua de intrusos que, vez ou outra irrompem, em atitudes e vozes que o leitor só descobrirá a possibilidade de não está ante projeções psíquicas quando descobre quem é Morel e qual sua invenção. 

E é nesta ocasião que se explica a presença da forma ficção científica: tudo nesta é ilha é produto de um projeto mirabolante de criação cujo intuito é a reduplicação da realidade e logo uma forja da eternidade. O narrador se preocupa em detalhar o funcionamento desse estratagema; o projeto, seus elementos, sua composição e como se constitui o campo de simulacros e surrealidade onde se vê metido este narrador desde quando aporta na ilha e vê-se envolvido nos mistérios aí encontrados.  

Nunca seria honesto num comentário como este revelar o imbróglio narrativo, mas o leitor deve atentar para a possibilidade de que o narrado não deixe de ser sargaços de invenções psíquicas. Principalmente se lembrarmos que este texto de Bioy Casares homenageia abertamente A ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells, obra cujo enredo apresenta um médico cientista obcecado pela ideia de transformar animais em homens através de cirurgias e hipnose e acusado de construir criaturas monstruosas numa ilha tropical, para onde vai viver. Desinteressado pelo debate produzido por Wells com a obra de 1896, o escritor argentino transfere parte da ideia de forja da criação no exercício de criação psíquica e metaliterária. Confirma-se a metáfora proposta pelo amigo de Bioy, Jorge Luis Borges, para quem A invenção de Morel se constrói pela deriva de labirintos dentro de um labirinto. É nesse ínterim, que encontramos as incursões de cariz psicológico nessa narrativa.

A maestria de A invenção de Morel está na capacidade com que o seu autor gerencia a diversidade de situações e encontra uma afinação entre narrativas de forças distintas. Não fosse isso e um trabalho dessa natureza ruiria com o próprio peso. Mas, Bioy está tomado pela força entre peso e leveza (pensando nos princípios da criação propostos em Italo Calvino) e o que constrói é um texto cuja força se mostra mais vital à medida que os tempos se transformam. A narrativa revela-se um objeto de múltiplas faces, caleidoscópica qual os jogos de espelhos do projeto de redistribuição das imagens da realidade. Difícil é o leitor não se deixar enredar nesses labirintos que fundem criação e imaginação como atitudes fundamentais à literatura.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O riso de Eça de Queiroz


Por Antonio Muñoz Molina



Há paraísos possíveis, paraísos inesperados e acessíveis, paraísos terrestres ao alcance de quase qualquer pessoa, espaços e lugares de tempo que se abrem de imediato e que não necessitam durar muito para preencher as horas ou os dias que ocupam. Quando era jovem, intrigava-me muito isso que diz Borges – não me recordo onde – que não há dia em que não passemos ao menos alguns momentos no paraíso. Quando jovem, alguém tem uma predileção literária e às vezes insensatamente literal pelos infernos. Agora, cada vez que me encontro neste estado de serenidade, de júbilo contido e muitas vezes secreto, me recordo daquelas palavras sábias da velhice de Borges, e me dou conta de que os passatempos contemplativos favorecem muito essas epifanias. (Procuro evitar a palavra “experiência” porque os publicitários tornaram-na ao mesmo tempo onipresente e a esta altura já quase depreciável).

Um contemplativo não é um místico. É alguém que se vê extasiado de pura atenção ante uma maravilha qualquer do mundo exterior: um rio, a gente que passa através das janelas de um café, um quadro, uma árvore, uma peça de música, a beleza de alguém, a periferia de uma cidade desdobrando-se pela janela de um trem, a tipografia de um cartaz, o reflexo da rua numa vitrine, um livro. O passatempo pela leitura favorece ainda todavia a descoberta dos paraísos acessíveis. Don DeLillo disse que a literatura é um ofício muito conveniente, porque se pode exercer em qualquer lugar e com os materiais mais comuns e mais simples, uma folha de papel e um lápis. 

Neste mundo de complexos paraísos tecnológicos, a leitura é simples ainda. Em qualquer cidade civilizada há não só bibliotecas públicas e livrarias abundantes como também bancas de rua em que por um ou dois euros ou dólares pode-se conseguir as obras mais raras, as melhores edições de toda a literatura universal. Com um livro que pode ter custado menos que uma cerveja, o leitor tem a possibilidade de horas extraordinárias de imersão num mundo que será possivelmente mais deslumbrante e mais saudável porque o forçará a prestar atenção a histórias que não têm nada a ver consigo, nem com seus amigos nas redes sociais, nem com sua época, nem com nada que o convença e o confirme suas falhas e seu narcisismo e convença de que viva no centro do mundo e acima do tempo, e que dessa posição pode olhar com condescendência, lástima, inclusive desprezo, todos os que nasceram antes dele, mesmo seus pais ou os romanos do tempo de Augusto. 

Outra característica fundamental destes paraísos é que só se encontram por sorte. Nisso se diferenciam também dos paraísos oferecidos pelas agências de viagens. Alguém tende a organizar demasiadamente suas leituras ou deixar-se guiar pelo que parece urgente ler num determinado momento: a sorte, porém, impõe correções saudáveis, porque retira o leitor de suas obsessões e finda por ser muito mais estimulante que o planejado.

Quando Stendhal era uma criança de luto porque acabava de morrer sua mãe e seu pai era um escabroso fundamentalista que o levou para viver com ele numa casa sombria, descobriu casualmente entre os tomos sisudos da biblioteca paterna uma edição ilustrada do Dom Quixote. Sem saber o que era aquele livro, guiado apenas pelas ilustrações, começou a lê-lo. Durante toda sua vida relembrou com gratidão que a primeira vez que soltou uma gargalhada depois da morte de sua mãe foi lendo o livro de Cervantes.

Recordo dessa gargalhada de Stendhal imaginando, escutando, o que se passa num momento de A cidade e as serras, o grande romance póstumo de Eça de Queiroz. O protagonista, um aristocrata português que vive em Paris ofuscado pela depressão e a abundância de ter tudo, de possuir e manejar todas as novidades do luxo e da tecnologia de então, ri-se às gargalhadas pela primeira vez na metade da narrativa lendo Dom Quixote, que também encontra casualmente porque um contratempo de viagem o há privado de todos os livros que trazia consigo.

Eu vivi um paraíso inesperado de leitor voltando por puro acaso aos romances de Eça de Queiroz, que tanto gostei sempre e que há muito não regressava a eles. Estava noutras leituras muito distantes. Mas numa tarte, no inverno suave de Lisboa, na biblioteca de um hotel muito aconchegante, anacrônico o bastante para ter uma biblioteca e não ter música ambiente, encontrei uma fileira com as obras de Eça em volumes de bolso, capa dura, antigos, com as capas de tecido azul, com páginas de tipografia clara e amplas margens. A biblioteca tinha um terraço que dava para o rio e os muros de Alcântara. Também tinha umas cadeiras de couro perfeitas para a leitura com braços muito desgastados por gerações de hóspedes leitores. Algumas manhãs, o rio e os telhados da cidade e o horizonte desapareciam na névoa. Outras, o ar limpo e o sol tornavam tudo transparente e limpo como recentemente lavado. Eu passava horas lendo As cidades e as serras, tomado por essa maestria ao mesmo tempo jubilosa e ácida de Eça de Queiroz, um romancista que tem a alegria do jovem Dickens dos Pickwick papers, a desmesura cômica de Flaubert e Zola; e além disso, um despudor erótico e uma irreverência religiosa que não tem equivalência no século XIX, e que vem melhor dos enciclopedistas e  dos libertinos do século XVIII, de Diderot e Choderlos de Laclos, com um amor idêntico pelos prazeres terrenos e pela liberdade de espírito.

Volto no avião para Madri, aproximando-me do paraíso leitor que deixei nessa biblioteca de Lisboa, onde terminei de ler A cidade e as serras com essa rara melancolia de despedida de um mundo com que se escrevem os melhores romances. Mas uma parte do paraíso trago comigo, porque venho lendo A relíquia. Não há um romancista que tenha rido tão livremente como Eça de Queiroz da beatice católica e das ridicularidades de uma religiosidade mesquinha e milagreira.

* Este texto foi publicado no jornal El País