Conferência sobre "Ensaio sobre a cegueira"



















Ensaio sobre a cegueira é, certamente, um das mais potentes alegorias sobre a atual condição da civilização Ocidental ou é um retrato pungente sobre o acelerado processo de degradação dessa civilização ao longo de sua história. Sim, esta é uma das maiores civilizações que habitaram o planeta, mas, no ritmo em que se encontra, não tardará muito seu fim. Sobretudo porque temos exercido em grande nível a incapacidade de ver o que está por baixo das aparências e vimos aos poucos nos tornando também no aparente.

Publicado em 1995, tão logo José Saramago sai de Lisboa para ir morar na ilha de Lanzarote no arquipélago das Canárias, este romance é reconhecido pela crítica como um dos mais importantes da segunda metade do século. E, além de dizer tanto do que nos tornamos, é este um romance que deposita uma crença inabalável na capacidade do homem em reverter a decadência. Se alcançaremos não sabemos; nem a obra deve se preocupar em responder isso.

Muito tempo depois, em finais de 2008, os cinemas receberam mornamente uma adaptação dessa obra saramaguiana. Veio pelas mãos do diretor brasileiro Fernando Meirelles, autor de outros exercícios do gênero de grande magnitude, como O jardineiro fiel. Essa tradução da escrita para a imagem não deixa de se constituir num aspecto sobre o qual nossa atenção de leitor logo se direciona a título de buscar respostas sobre o que sobrou do livro na tela. Tenciono fugir desse debate, muito embora, note que será, evidentemente, uma das questões que poderão surgir quando se coloca em relação duas obras (o romance é uma e filme, mesmo adaptado, é outra).

Sobre o romance e sobre o filme é motivo para uma conferência que pronuncio hoje, segunda-feira, 20 de julho de 2009, às 19h, na Faculdade de Letras e Artes, no Campus Avançado Professora Maria Eliza de Albuquerque Maia, em Pau dos Ferros (RN). Trata-se de um convite do professor Afrânio Lucena. E já intitulei essa conversa com o nome de Ensaio sobre a visão - ver para ler, ler para ver, um olhar para a obra de José Saramago e a adaptação para o cinema.



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