Sobre os novos centros de lavagem cerebral

Por Pedro Fernandes



Volto novamente a tocar no assunto porque ele me incomoda e os incomodados não devem se retirar, mas falar, o quanto puderem. O que me faz escrever mais uma vez sobre é que um amigo outro dia escreveu na sua página pessoal do Orkut: "Nossa como é bom ser católico, ter a certeza do céu, a certeza da verdade...". Logo o assunto aqui tem a ver com a nova estripulia religiosa que tem tomado conta da sociedade contemporânea. E nesse intercurso há uma que está para além de tudo aquilo que já pude escrever aqui acerca da religião. Trata-se das diversas correntes dentro do catolicismo que têm como missão congregar jovens. Não há nada, de minha parte, ser contra às tais correntes, mas quando elas se transformam em redutos para aperfeiçoamento das desgraças humanas, aí sim tenho muita coisa contra. O que está embutido na frase desse meu amigo reitera o papel que tais comunidades ditas de evangelização tem propiciado aos jovens que dela se aproximam: a refundação de guetos que põem todos contra todos. Ao colocar-se como uma das sete maravilhas do mundo "o ser católico" o discurso cerceia toda outra forma de manifestação religiosa; e ao colocar-se enquanto dono de uma certeza absoluta, eis o advento máximo da ignorância, o que mais tem ofuscado o andamento das relações humanas porque donos da verdade buscam impor-se frente a realidade plural que ocupam. Particularmente isso em nada me agrada porque parece-me que vamos cada vez mais dando marcha-ré naquilo que ainda ousamos chamar de evolução humana.


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