Um convidado bem trapalhão, de Blake Edwards



Este é o único filme da parceria entre Blake Edwards e Peter Sellers que não faz parte da série A Pantera Cor-de-Rosa (1963-1982). Pode ser tomado como exemplo do modo de fazer comédia que marcou a dupla. Baseado em grande parte na capacidade de Edwards bolar situações engraçadas e na qualidade da atuação de Sellers, o longa acabou sendo visto também como uma denúncia do modo de produção pouco receptivo a novidades do cinema industrial (em particular) e dos Estados Unidos (de maneira mais ampla). O filme seria, então uma alegoria ao mostrar a introdução no ambiente (americano) de um elemento estranho (um indiano) que literalmente explode uma parte de Hollywood.

Hrundi Bakshi (Sellers) é um ator indiano com grande tendência a provocar confusões. Destrói sem intenção um set de filmagens inteiro, o que queima sua imagem no círculo cinematográfico. Devido a um equívoco, ele é convidado a uma festa da alta sociedade hollywoodiana. Com sua presença, o caos com ares circenses lá instaurado permite a presença de brinquedos desgovernados, um sapato perdido na piscina e até um elefante. 

Edwards filmou as cenas na ordem em que aparecem na tela sem um roteiro rígido, apenas com as linhas gerais para as direções que o enredo seguiria. Ao fim de cada seqüência, a equipe se reunia para discutir e decidir o que aconteceria a seguir. O resultado é uma das comédias mais absurdas de todos os tempos.

* Revista Bravo!, 2007, p.106.

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