Colóquio internacional em homenagem ao centenário de nascimento de Jorge Amado




A equipe de pesquisa ERIMIT (Equipe de Recherches Interlangues “Mémoires, Identités, Territoires”) da Université Rennes 2 – França, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Literatura e Diversidade Cultural da Universidade Estadual de Feira de Santana-Bahia e com a Fundação Casa de Jorge Amado propõe a realização, nos dias 11, 12 e 13 de outubro de 2012, de um colóquio internacional em homenagem ao centenário de nascimento de Jorge Amado.

De todos os escritores brasileiros, o baiano Jorge Amado é seguramente aquele que mais “exportou” imagens do Brasil. A proposta de explorar a dimensão internacional de sua obra e o diálogo intercultural que ela promove justifica-se plenamente. Traduzido em dezenas de línguas, Amado pode ser considerado uma espécie de “embaixador” da cultura brasileira, não somente pela circulação abrangente de sua obra, mas pelas suas múltiplas “navegações” pessoais que lhe permitiram desenvolver laços de amizades com grandes intelectuais e artistas de sua época. Talvez seja, por isso mesmo, o mais internacional dos escritores brasileiros.

Um dos eixos do Colóquio privilegiará as relações interculturais que a obra amadiana inaugura com espaços culturais estrangeiros. Trata-se de interrogar, em países diversos, as possíveis traduções do Brasil que os romances de Amado favorecem. O conjunto de representações do Brasil que circulam no estrangeiro resultam de relações complexas que se estabelecem entre a experiência que os diferentes povos fazem desse país, captando os elementos de sua realidade (ou projetando, às vezes, sobre a mesma, seus próprios fantasmas), e o conjunto de representações que circulam no imaginário social de cada país, moldado pela dimensão histórica. A percepção da alteridade brasileira dialoga com os grandes mitos nacionais, tanto brasileiros quanto estrangeiros, e a literatura ocupa um lugar central nesse processo. O objetivo consiste em examinar os parâmetros subjacentes às imagens do Brasil de Amado, visto de fora, a fortuna crítica do autor no exterior e as questões relacionadas com a tradução. 

O questionamento sobre a experiência do Outro – neste caso, o imaginário social sobre o Brasil – através da obra de Jorge Amado será complementado por uma reflexão sobre a importância das relações interculturais nas figurações identitárias que emanam da produção do escritor.

O Colóquio revisitará a obra prolífera e polêmica de Jorge Amado e possibilitará fazer um balanço sobre a produção e o legado desse escritor. Além dos conferencistas convidados, o Colóquio receberá propostas de comunicação até o dia 15 de setembro de 2011 que serão avaliadas pelo comitê científico. As propostas devem obrigatoriamente corresponder aos dois grandes eixos de reflexão:

Eixo 1 – O Brasil de Amado visto de fora

Este primeiro eixo volta-se para a abordagem de questões relacionadas com a recepção internacional da obra amadiana, contando principalmente com a contribuição de pesquisadores da equipe ERIMIT da Université Rennes 2 - especialistas de espaços geográficos e culturais diversos; de pesquisadores de literatura brasileira que trabalham no exterior e de escritores. O objetivo consiste em elaborar uma cartografia da recepção da obra de Jorge Amado, em países e continentes diversos (Europa, América, Ásia e África), a partir de três aspectos principais:

1.1 A obra de Jorge Amado e a construção do imaginário social sobre o Brasil, no exterior;
1.2 A fortuna crítica sobre a obra amadiana nos diversos países
1.3 Questões de tradução : língua e interculturalidade

Eixo 2 – Memória , território e identidade na obra de Jorge Amado

A proposta consiste em realizar leituras críticas da obra amadiana centradas na singularidade de sua poética articulando-a com a temática identitária. Em Amado, as figurações identitárias, assentadas na mestiçagem cultural como projeto utópico para a nação, constroem um território imaginário permeável à diversidade cultural. A análise das relações existentes entre território, memória e história, no universo amadiano, favorece o diálogo entre a literatura e outras configurações discursivas, como a história, a antropologia, a sociologia, entre outras, com as quais o discurso literário amadiano dialoga, permitindo relacioná-lo com o pensamento atual sobre os percursos interculturais.

Os resumos para as comunicações ter até 300 palavras, sem contar o título e devem ser acompanhadas de uma breve apresentação precisando a instituição de origem, o cargo, a equipe de pesquisa. As propostas apresentadas por doutorandos devem ser acompanhadas por um parecer favorável do diretor de tese.

O comitê científico fará uma seleção dos trabalhos apresentados para publicação, no Brasil e na França.

Informações podem ser pedidas através de:

CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Alameda da Universidade - Cidade Universitária
1600-214 Lisboa - PORTUGAL
Telef. 21 792 00 44
http://www.clepul.eu/   


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