Gabriel García Márquez



Nascido em 1928, em Aracataca, cidadezinha ao norte da Colômbia, foi criado ao lado do seu avô materno Nicolás Ricardo Márquez Mejía, então coronel da guerra civil colombiana de início do século passado. Estudou em colégio jesuíta, depois da morte dos avós, quando foi morar com os pais em Barranquilha. Iniciou, já em Bogotá, mas abandonou devido a necessidade de trabalho o curso de Direito. Pela época tornou-se correspondente jornalístico; viveu em Roma, Paris, Nova Iorque, Barcelona e México, sempre devido a profissão que exerceu com o amor que nutriu, desde sempre, pelas letras.

Escreveu uma quantidade significativa de obras literárias, algumas, pérolas da literatura universal, mas se consagrou com Cem anos de solidão, que é, talvez, sua obra mais conhecida e acusada por alguns críticos como a que mais se aproxima de um modelo de estado comunista.

A cidade misteriosa de Macondo, onde se desenvolve as ações nessa obra, estaria, não colocando eleições diretas para um representante do lugar e pela quantidade significativa de revoluções, sendo uma representação metonímica do próprio estado revolucionário idealizado por Che Guevara e levado a cabo por Fidel Castro, com quem o escritor teve relações muito próximas.

Aliás, é sobre essa questão nebulosa que, em março de 2010, chegou às livrarias brasileiras a versão para o português de Gerald Martin, Gabriel García Márquez: o escritor e o ditador. Polêmicas à parte - porque estas, todo grande escritor as tem - o caso é que o romance, a obra, e pensamento crítico do escritor colombiano são peças sem precedentes e sem sucessores na literatura latino-americana.  

Mas, antes do romance que o consagrou mundialmente, foi com Ninguém escreve ao coronel, livro cuja narrativa é descrita como marcada por forte veio histórico, porque parte do episódio sobre o naufrágio de Luis Alejandro Velasco, publicada primeiro como folhetim no jornal El Espectador e dois anos depois em livro que iniciou, ou o revelou, de fato, na literatura. Já neste livro, se verifica os traços do que ficou designado pela crítica sobre o Boom Latino-Americano como realismo fantástico, que, dizendo em duas palavras, trata-se de uma fusão entre realidade e fantasia.

Além das Letras, é sabido que, e a amizade de García Márquez com alguns nomes do cinema provam isso, carregou outra paixão. Na sétima arte ainda fez experimentos com diretor na construção do enredo de outros; em 1950 estudou no Centro Experimental de Cinema em Roma, experiência que o terá levado a mais de trinta anos depois, quando já participara de algumas leituras de sua obra para o cinema, a criar a Escola Internacional de Cinema e Televisão em Cuba para apoiar a carreira de jovens da América Latina, Caribe, Ásia e África.

O escritor morreu no dia 17 de abril de 2014, na Cidade do México. Além dos romances, escreveu crônica, contos e infanto-juvenis; esta última face talvez desconhecida de muitos leitores. O reconhecimento por sua obra está em toda parte, sobretudo, na extensa lista de títulos, honrarias, homenagens e prêmios que recebeu ao longo da vida, entre eles, está o Prêmio Nobel de Literatura, em 1982.

Abaixo, deixamos um arquivo em que o leitor tem acesso ao Discurso de Estocolmo, lido por ocasião da recepção do Prêmio Nobel de Literatura em dezembro de 1982. Aqui, você pode ouvir o áudio.





atualizado em 17/04/14.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A religiosidade clandestina de Hermann Hesse

Pablo Neruda: o que não dá mais para ocultar

Água viva, de Clarice Lispector

Apontamentos sobre alguns textos curtos de Tolstói

Boletim Letras 360º #231

Quando Borges era Giorgie

Salinger, um grupo de psicopatas e os do MKUltra

A filha perdida, de Elena Ferrante

Gostamos de causar danos (com o grande romance estadunidense)

Jane Austen: casamento e dinheiro