Os 100 anos de Nelson Rodrigues

Fecha-se hoje o primeiro centenário de Nelson Rodrigues. Autor de uma leitura das mais coerentes do Brasil contemporâneo, também foi ele, segundo a professora Bárbara Heliodora, uma das maiores autoridades no país na do dramaturgo inglês William Shakespeare, o inventor do teatro moderno brasileiro. Nelson foi ao centro nervoso da nação, descreveu como ninguém a família brasileira e soube ver todos os colapsos não como uma patologia, mas como uma macabra necessidade humana ou ainda como aquilo que nos define enquanto humanos. 

Pela passagem da data recuperamos aqui dois vídeos que melhor dizem de Nelson. O primeiro, que está dividido em três partes, é a clássica entrevista concedida a Otto Lara Resende para a TV Globo em 1977. Embora seja uma das entrevistas mais citadas nas conversas de blog, é justo recuperá-la por duas razões: antes, Otto é um gentleman das perguntas. Não se perde nas deambulações dos entrevistadores de hoje que querem mais chamar atenção com seus questionamentos 'elaborados' e faz perguntas claras e objetivas, dando todo espaço para que o espaço seja do entrevistado. Nela, também os leitores de Nelson ficam a par do pensamento polêmico do escritor sobre temas caros, como a juventude, a velhice, a morte, o amor e o sexo.

O segundo é composto de trechos de um filme bastante raro feito pelo dramaturgo João Bethencourt que acreditou na perda desse trabalho. O filme é Fragmentos de dois escritores. Quando na sua produção, João fez entrevistas com Nelson Rodrigues e com o dramaturgo estadunidense Edward Albee. A versão completa foi localizada um tanto recente no Arquivo Nacional dos Estados Unidos. E vale pelo encontro com o escritor no seu cotidiano ao modo do que fez Fernando Sabino a outros nomes da literatura.

Entrevista de Nelson Rodrigues a Otto Lara Resende - Parte 1



Parte 2



Parte 3



Trechos de Fragmentos de dois escritores



Comentários

Alexandre Kovacs disse…
Muita falta de Nelson Rodrigues nesta nossa época "veloz" em que as pessoas têm medo de escrever e serem tachadas de bregas e/ou politicamente incorretas.

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Boletim Letras 360º #239