Os desenhos de Sylvia Plath (II)


Autorretrato de Sylvia Plath (1951)


Em agosto de 2012 fizemos uma curta matéria sobre o trabalho plástico da poeta estadunidense Sylvia Plath (leia aqui). Hoje, voltamos ao tema a fim de apresentar o lugar de quando tudo isso começou e até aonde ela foi na complexa matéria do desenho e da pintura.

Atenção seja dada ao primeiro trabalho que olha para a arte visual como incursão de mesmo porte que a atuação de Plath na literatura. Trata-se do Eye Rhymes – Sylvia Plath’s Art of the Visual, que reúne uma série de ensaios de estudiosos de renome que fazem um percurso pelas várias fases do trabalho de Plath neste outro universo e reproduz integralmente, desde os primeiros rabiscos aos trabalhos mais acabados como as pinturas em aquarela, pastel, os desenhos de giz de cera e lápis produzidos na maturidade. São cerca de sessenta trabalhos lidos numa também extensa relação com sua obra literária com atenção para os primeiros desenhos e os experimentos textuais da adolescência em cartas e pinturas que compôs quando estudante de artes no Smith College de Massachussetts.

O fato é que Sylvia Plath aspirava, antes de vir a ser poeta, se tornar uma artista plástica; a escolha pelo universo das letras só veio aos vinte anos e o que viria ser uma profissão foi transformado em hobbie. É bem verdade que os primeiros rabiscos ou os esboços de trabalhos que ficaram no princípio ou perto do fim não chegam a ser tão representativos do que de melhor produziu a artista, mas o que foi produzido já na sua maturidade, como a série de desenhos feitos de caneta à tinta, quando aos 23 anos viajou com Ted Hughes em lua de mel entre Paris e Espanha vão na direção oposta. Essa produção demonstra uma artista segura do trabalho que praticava, com manipulação hábil das técnicas de representação e de riqueza visual extrema.

Autorretrato de Sylvia Plath - desenho.


Plath começou seus rabiscos ainda quando adolescente nas páginas dos diários que toda menina de seu tempo sempre manteve. Estendeu-se às correspondências e foram aperfeiçoadas no Smith College a ponto de chegar a trabalhos tão bem acabados como os desenhos sobre os quais falamos antes e que podem ser vistos na primeira matéria que fizemos sobre essa face da poeta ou em ilustrações como as que fazem parte dessa postagem - o autorretrato de 1951, o desenho também autorretrato não datado ou esse quadro de uma moça sentada lendo que expusemos em fevereiro deste ano em nossa galeria "A arte de ler", no Facebook.

Logo, após o suicídio, a coleção de desenhos de Plath ficou com seu marido, que introduziu sua assinatura em grande parte dos trabalhos que não estavam assinados por ela, como maneira de atestar sua autenticidade. Depois os desenhos ficaram a cargo de sua filha, Freida Hughes e foram redescobertos por pesquisadores no sótão da casa da família em 1996. O livro organizado por Kathleen os reuniu, enfim, em 2007, e em 2011, 44 desses trabalhos deram forma a uma exposição em Londres.

A seguir preparamos um catálogo com outros trabalhos de Sylvia Plath além dos já expostos por aqui.


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