Boletim Letras 360º #211

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Os leitores que acompanham o Letras desde tempos remotos sabem do nosso esforço por oferecer conteúdo de qualidade e a prova disso está no reconhecimento que silenciosamente galgamos dia após dia. Em 2017, marca-se a passagem de 10 anos online. E já agora apresentamos a primeira das novidades para marcar essa data: inauguramos uma nova interface. Ainda na construção dos ajustes, mas com conteúdo integralmente acessível (quer dizer, quase, que ainda há postagens em revisão). Breve anunciaremos a chegada de novos colaboradores. E assim seguimos – até quando formos possível seguir. Aproveitamos para assinalar duas outras boas notícias: sai hoje o resultado da promoção que sorteia um exemplar de A montanha mágica, de Thomas Mann (Companhia das Letras); e o a nossa página no Facebook ultrapassou os 61 mil seguidores! Somos muito gratos.
Segunda-feira, 20/03
>>> Brasil: Um livro, dois inéditos: edição reúne textos de Friedrich Schlegel sobre a poesia
O autor foi uma voz determinant…

Boletim Letras 360º #161

Estas foram as notícias sobre o universo de interesse do blog que circularam durante esta semana na página do Letras in.verso e re.verso no Facebook (você já nos segue?)

Viva, mais um First Folio foi encontrado! Mais detalhes sobre essa descoberta o longo deste boletim.


Segunda-feira, 04/04

>>> Suécia: Morreu Lars Gustafsson

Escritor, poeta, editor,filósofo, professor, tradutor e um grande dramaturgo; o sueco Lars Gustafsson, que chegou a ser um dos favoritos ao prêmio Nobel de Literatura, nasceu em Västerås em 1936. Publicou seu primeiro romance aos vinte e um anos. Foi durante a década de 1970 um dos mais ferozes críticos ao pensamento socialista de seu país. Viveu e trabalhou em Alemanha e Estados Unidos, durante o período em que se dedicou à carreira acadêmica, isso logo quando defendeu seu doutorado em 1978. Reconhecido internacionalmente recebeu prêmios como o John Simon Guggenheim Memorial Foundation Fellowship de poesia (1994), a Medalha Goethe (2009), o prêmio Thomas Mann (2015), e o Nonino (2016). No Brasil, publicou livros como A morte de um apicultor, A amante colombiana e Sigismundo das memórias de um Príncipe Barroco.

>>> Itália: Umberto Eco, nenhuma homenagem por pelo menos dez anos

Esse foi o pedido do escritor, semiólogo e filósofo italiano antes da sua morte. O comunicado feito pela companheira Renate à diretora da Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha, Maria Patricia Violi, pegou todos de surpresa. A instituição criada pelo escritor italiano com o objetivo de difundir a cultura entre os pesquisadores com alto nível de conhecimentos trabalhava já num convênio internacional sobre a obra de Eco que seria realizado no ano que vem e o reitor da universidade, Francesco Ubertini, tinha anunciado após a morte de Eco que abriria o novo ano letivo com dedicação à memória do escritor. Todos já não têm dúvida que o melhor é respeitar a vontade do mestre. Eco quis evitar uma sequência de ações no momento e convidar a uma reflexão de longo prazo, ponderada.

Terça-feira, 05/04

>>> Brasil: Livro de contos de Margaret Atwood ganha edição por aqui

O ovo do Barba-azul é o décimo sétimo livro que a Editora Rocco publica no Brasil; editada no Canadá em 1987, a obra reúne contos que fazem uma crítica mordaz aos relacionamentos entre as pessoas, de como eles estão cheios de sentimentos de angústia e alienação. O humor neles é quase triste e leva, algumas vezes, a um sorriso de canto de boca, enquanto se pensa que Sally, a personagem do conto-título do livro, pode estar certa: relacionamentos e pessoas são parecidos com ovos. Pequenos e frágeis, eles não dão trabalho enquanto não são rompidos. Uma vez rachados, porém, são capazes de causar toda sorte de sentimentos. A tradução é de Carlos Ramires.

>>> Portugal: Novo livro de Lídia Jorge

O amor em Lobito Bay trata-se de uma antologia com nove contos; todos têm, dentre os vários elementos em comum, o fato de a ação decorrer num espaço longínquo, a narrativa desenvolver-se em torno de uma revelação demolidora, a memória funcionar como uma catarse que o tempo se encarrega de prolongar de modo a não poder ser esquecida. São contos de persistência, memória de momentos, breves momentos de relâmpago, durante os quais a luz ilumina demais, e algo se esclarece para sempre, ainda que a sombra nunca se esgote. É sob essa luz transfiguradora que as crianças expõem os limites da sua inocência, jovens lutam contra a desordem do mundo para além do improvável, mulheres e homens perto da velhice recriam sonhos audazes, poetas descobrem, a meio da noite, os limites frágeis da humanidade. São contos sobre a marcha humana que não pára de reiniciar continuamente os seus primeiros passos.

Quarta-feira, 06/04

>>> Portugal: A exposição "Obrigatório Não Ver", combinada com Ana Hatherly antes da poeta morrer revela obras inéditas

Em 2015, o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) tinha planos de realizar uma exposição pensada desde o ano anterior quando se passaram os 40 anos do 25 de Abril. O tema central, portanto, seria a Revolução dos Cravos e o período pós-revolucionário português; mas, só agora pode ser realizada e o tema tornou-se um dos núcleos centrais de uma exposição que é já uma homenagem para Ana. São 43 obras do seu trabalho poético e visual desde o início da carreira, nos anos 1960, até ao século XXI; entre elas, peças inéditas, como alguns desenhos em grafite e pinturas em cartão do Arquivo de Poesia Experimental de Fernando Aguiar (APEFA) e das coleções da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). Aberto na próxima sexta-feira, 7 de abril, pelas 18h, a exposição estará no CAPC até o dia 30. A iniciativa conta ainda com cinco debates em torno da obra da artista que faleceu em Lisboa no dia 5 de agosto de 2015.

>>> Espanha: A melhor coleção sobre Miguel de Cervantes está online

A Biblioteca Nacional de Espanha (BNE), motivada pelo quarto centenário da morte do escritor, tem elaborado a página «Cervantes en la BNE». A coleção apresenta a digitalização da produção literária completa do autor de Dom Quixote e uma visita à sua biografia desde quando se instalou em Alcalá de Henares, em 1953, até sua morte em Madri, em 1616. «Cervantes en la BNE» também inclui em seu catálogo virtual uma variedade de arquivos audiovisuais, como imagens, jornais, registros sonoros e o único autógrafo de Cervantes. Esta coleção é considerada a melhor do mundo e ganha agora espaço online. Basta acessar aqui

Quinta-feira, 07/04

>>> Escócia: Encontrado um novo exemplar do First Folio de William Shakespeare

A descoberta surpreendeu todos os especialistas e estudiosos da obra do autor. O livro estava na biblioteca que Isaac Reed tinha em Mount Stuart House, na ilha escocesa de Bute, onde viveu no último século. Emma Smith, professora de Estudos Shakesperianos e uma das mais importantes pesquisadoras na obra do bardo inglês, confirmou a autenticidade da descoberta. Reed foi um importante editor da época em que trabalhou em Londres no século XVIII. Numa carta que ele mesmo escreveu, explica que adquiriu o volume em 1786 e tudo parece indicar que seus herdeiros repassaram em 1807, depois de sua morte, a um tal de 'JW'. Publicado em 1623, o First Folio recolhe 36 das 38 obras de teatro mais importantes do escritor. Sem ele, nunca haveria chegado até nós textos como "Macbeth" o "A tempestade". Sua primeira edição saiu sete anos depois da morte de William Shakespeare, que neste 2016 cumpre 400 anos, e foram dois atores daquela época, John Heminge y Henry Condell, quem o publicaram. Desde então, o número de cópias se multiplicou e estima que haja mais de 700 espalhas pelo mundo. Até agora só haviam encontrado 234 deles; só há dois anos, por exemplo, se descobriu o que era até agora o último First Folio - esteva no norte da França,na biblioteca de Saint-Omer durante cem de anos.

>>> Brasil: Primeiro livro de Orígenes Lessa, O escritor proibido, ganha reedição

Sai pela Global Editora. A antologia de contos que rendem histórias surpreendentes, irônicas e bem-humoradas data de 1929. O ponto de partida para as histórias é o de um autor imoral, de livros indecentes, que se revela um tímido ao ser abordado por uma garota mais atirada, ou um aprendiz de repórter, num jornal suburbano, humilhado por colegas, que fez carreira brilhante longe da redação que o desprezou. A edição reúne dois importantes textos da fortuna crítica do autor, ambos inéditos em livro até o momento: o primeiro deles é a resenha profética de recepção de O escritor proibido, assinada por Medeiros e Albuquerque no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, em 1929, e o segundo, a íntegra da nota crítica publicada no mesmo ano pelo Jornal do Brasil, de João Ribeiro.

Sexta-feira, 08/04

>>> Espanha: Escritores latino-americanos criaram "Zenda", um espaço na internet que pretende ser um ponto de encontro, com artigos, resenhas, notícias e entrevistas

Conta com a participação dos espanhóis Javier Marías , Arturo Pérez-Reverte, Luis Mateo Díez, José María Merino e Almudena Grandes, dos mexicanos Élmer Mendoza e Xavier Velasco, do argentino Jorge Fernández Díaz e da porto-riquenha Mayra Santos-Febres, entre outros. Trata-se, afirma Pérez-Reverte, de "um lugar livre onde eles podem se encontrar, um espaço feito por escritores em que se fará tudo - resenhas, entrevistas, críticas literárias, notícias e debates". O espaço é dirigido pelo jornalista Leandro Pérez Miguel e e surgiu "há uns seis meses" em conversas de Pérez-Reverte com Marías, Merino, Mateo Díez, Almudena Grandes e Lucas, entre outros, conscientes de que os suplementos literários estão perdendo seus leitores: "O futuro está na internet e nas redes sociais". O nome do site é inspirado no romance O Prisioneiro de Zenda, do britânico Anthony Hoppe Hawkins. Tudo pode lido gratuitamente aqui.

>>> Brasil: Um novo selo para clássicos da literatura brasileira e estrangeira

A iniciativa é da Editora Vozes. "Vozes de Bolso – Literatura" dedica-se aos clássicos da literatura brasileira e estrangeira e trata-se de uma coleção pensada pelo professor Leandro Garcia Rodrigues, que fez o trabalho de retomar as primeiras edições de cada obra, cotejá-las com outras edições e, assim, eliminar eventuais erros que acabaram se repetindo nas mais diversas edições modernas. No final de cada livro, há um breve texto falando de como foi feito o estabelecimento daquela edição. Além disso, em algumas obras foram incluídos textos que enriquecerão a leitura crítica do livro, como a crônica que Machado de Assis escreveu sobre Iracema, por exemplo. O livro de José de Alencar e Dom Casmurro e O alienista, de Machado, mais Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antonio de Almeira, Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto formam os títulos de estreia do selo.


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