Boletim Letras 360º #229

Neste final de semana acontece mais um sorteio no âmbito das comemorações pelos dez anos do blog Letras in.verso e re.verso. No Instagram @Letrasinverso, sortearemos os quatro volumes da tetralogia napolitana, da Elena Ferrante – obra editada pela Globo Livros / Biblioteca Azul. As inscrições estão abertas até o dia 30 de jul., quando ocorre o sorteio. Por aqui já estamos a pleno vapor para organizar mais uma semana no blog e pensando qual será nossa próxima promoção.

Algumas novas informações sobre o quadro mais famoso da história e seu autor, Leonardo da Vinci.


Segunda-feira, 24/07

>>> Itália: Uma nova mãe para Leonardo da Vinci

O novo livro do professor de História da Arte emérito do Trinity College e da Universidade de Oxford Martin Kemp e de Giuseppe Pallanti sobre a Mona Lisa – Mona Lisa: The People and the Painting – assegura que a mãe de Leonardo da Vinci foi Caterina di Meo Lippi, uma camponesa que aos 15 anos engravidou de um rico advogado florentino. A descoberta é importante porque a identidade dessa mulher foi mantida em segredo durante quase seis séculos e até agora se especulava que a mãe do pintor fora uma escrava de origem asiática a serviço de Piero, mas vários documentos destoam da afirmativa, visto que a residência dessa mulher está designada em vários documentos da época a vários quilômetros de Vinci. Leonardo foi filho ilegítimo de Caterina e Piero, que já estava noivo – apontam os pesquisadores; nasceu em 15 de abril de 1452 na residência do avô paterno, Antonio da Vinci, e não na famosa Casa Natale de Anchiano, que foi restaurada há alguns anos e alberga um pequeno museu. O documento que permite a afirmativa é uma declaração de impostos do avô, de 1457, que afirma que, aos cinco anos Leonardo continuava vivendo com ele. Caterina então já havia se casado com um agricultor local chamado Antonio di Piero Buti. Embora bastardo, Kemp sugere que Leonardo continuou mantendo relações com seu pai. Depois de analisar os impostos da família Lippi e Buti, é muito provável que Piero da Vinci [que chegou a ser notário e embaixador da República de Florença] havia previsto um dote para que a jovem e desamparada mãe de Leonardo pudesse se casar.

>>> Itália: Novos detalhes sobre a mulher que teria servido de modelo a Leonardo da Vinci para a Mona Lisa

O novo livro do professor de História da Arte emérito do Trinity College e da Universidade de Oxford Martin Kemp e de Giuseppe Pallanti sobre a “Mona Lisa” – Mona Lisa: The People and the Painting – traz ainda novidades sobre Lisa de Giocondo e seu marido. Este, longe de ser um renomado comerciante de seda florentino, como se pensava até agora, ganhava a vida vendendo açúcar da Madeira e importando couro da Irlanda. Kemp sugere que Francesco poderia ser inclusive um famoso contrabandista de negros da época, porque se dedicava a qualquer negócio que pudesse dar-lhe dinheiro. Há alguns anos Giuseppe Pallanti esteve em várias revistas ao redor do mundo ao demonstrar que a modelo de enigmático sorriso na qual Da Vinci se baseou para sua famosa pintura havia morrido no dia 15 de julho de 1542 aos 63 anos no convento de Santa Úrsula de Florença. O pesquisador utilizou um registro de falecidos da paróquia; nos documentos aparece o nome de Lisa de Giocondo vinculado à compra de água de caramujo que então era usado para tratar a sífilis e outras enfermidades venéreas. Desde 2013 os restos ósseos da família Giocondo encontrados na Basílica da Santíssima Anunciação de Florença estão em análise e alguns investigadores se aditam a sugerir que a modelo de Da Vinci pode haver contraído sífilis e toda sorte de especulações, em torno das quais os dois estudiosos sempre estão desconfiados e anseiam encontrar a verdadeira imagem de quem era Lisa.

Terça-feira, 25/07

>>> Inglaterra: O King’s College expõe por algumas horas o manuscrito do romance inacabado Sanditon, de Jane Austen

Por seis horas a biblioteca do edifício mais fotografado de Cambridge permaneceu lotada. Um grupo de bibliotecários e pesquisadores disputaram espaço para uma relíquia: o manuscrito do inacabado romance Sanditon, que está na instituição desde 1930 depois de ser doado pela cunhada do sobrinho-neto de Jane Austen e antigo decano do King’s College, Augustus Austen-Leigh. O evento foi para marcar os 200 anos da morte da escritora passados agora em 2017. As últimas linhas de Sanditon datam de 18 de março de 1817, exatamente quatro meses antes de sua morte. Na exposição os visitantes puderam ainda ver as primeiras edições de Orgulho e preconceito, Razão e sensibilidade e Emma, além de uma carta enviada por Austen ao seu editor, um livro da biblioteca pessoal e edições das primeiras traduções de seus romances para o francês. A maioria dos livros da escritora em posse do King's College procedem da biblioteca do antigo reitor George Thackeray (1777-1850)e das doações realizadas por E. M. Foster e John Maynard Keynes, quem dá nome a um dos edifícios do enorme College.

>>> Brasil: Sairá pelo selo Galerinha Record The Purloining of Prince Oleomargarine, livro a partir de um manuscrito inédito do acervo de Mark Twain

O livro é publicado agora em setembro nos Estados Unidos. A trama, que fala de um menino que come uma flor mágica e ganha o poder de falar com os animais era uma história que Twain contava para as filhas dormirem. Descoberto recentemente, o texto não finalizado de Twain foi transformado em livro pelo casal Philip e Erin Stead – autor e ilustradora, respectivamente. Falamos sobre o livro aqui.

>>> Brasil: Edição artesanal com tiragem limitada do novo livro de José Luiz Passos

A órbita de King Kong conta a história do macaco Ham, o primeiro hominídeo a ser lançado ao espaço. Em 31 de janeiro de 1961, esse chimpanzé de cinco anos e 17 quilos, fez um bem-sucedido voo a bordo de uma cápsula espacial do projeto MR-2 da NASA. Pouco tempo depois, seria a vez dos primeiros seres humanos. No mesmo ano, o russo Iuri Gagarin e o americano Alan Shepard também foram lançados ao espaço com sucesso. Esta narrativa de José Luiz Passos se dedica a contar a história desse simpático King Kong, em sua jornada histórica, desde que foi capturado em Camarões, três anos antes de sua missão junto ao programa espacial americano. Dividida em 15 capítulos, a novela combina o registro factual da escrita sobre a escalada científica que permitiu dar início à conquista do espaço com uma dicção íntima e pessoal, que procura penetrar na imaginação do chimpanzé. Em três dos capítulos, é o próprio Ham quem narra, na primeira pessoa, suas impressões sobre a captura na selva africana, sobre o seu desempenho no espaço e sobre a reentrada na atmosfera e o resgate da cápsula espacial, flutuando no Atlântico. A edição especial da Quelônio, de tiragem limitada, combina processos digitais de impressão com a composição tipográfica do texto e acabamento manual. As ilustrações são de autoria da figurinista Raquel Barreto, professora da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Originalmente feitas em colagem, no livro as ilustrações foram impressas digitalmente em papel vegetal. Além das imagens do miolo, o livro conta com uma cinta que o envolve, também com imagens de Raquel Barreto, compondo a capa, que tem impressão em tipos móveis. Os textos do miolo foram compostos em linotipo e tipos móveis, na Oficina Quelônio, e impressos em tinta azul sobre papel especial Classical Natural White 90g/m2. Os livros, numerados e assinados pelo autor e pela ilustradora, foram costurados à mão por Sílvia Nastari, diretora de arte da Quelônio e autora do projeto gráfico da edição. Veja o booktrailer aqui.

Quarta-feira, 26/07

>>> Brasil: Um Macunaíma para chamar de seu

Primeiro foi a Nova Fronteira que preparou uma edição em capa dura para o clássico da literatura brasileira; depois, a Penguin / Companhia. A Ateliê editorial publicou uma edição de luxo com tiragem limitadíssima. Agora, a Ubu Editora anuncia que vai publicar também um Macunaíma, de Mario de Andrade. Ilustrada como monotipias de Luiz Zerbini, o livro trará posfácio de Lúcia Sá e um glossário feito por Diléa Zanotto Manfio. A publicação é para agosto. Eis os frutos de uma obra quando cai em domínio público.

>>> Brasil: Pela primeira vez no Brasil, um dos mais venerados escritores da China moderna

O garoto do riquixá, de Lao She, é o novo lançamento da Editora Estação Liberdade, em tradução do chinês de Márcia Schmaltz. O livro narra as aventuras de Xiangzi, que sai do campo para tentar a sorte trabalhando como puxador de riquixá na cidade grande. Determinado e idealista, Xiangzi terá de usar toda a sua força e inteligência para reescrever seu destino e conseguir a vida que deseja para si. Como Victor Hugo fez com Paris e Charles Dickens fez com Londres, Lao She recria com realismo o ambiente vibrante e implacável das ruas de Beijing nos anos 1920 e 1930, envolvendo o leitor com uma trama ágil e cheia de personagens marcantes.

>>> Brasil: Mais títulos de Guimarães Rosa ganham reedição

Tutameia foi o último livro publicado em vida pelo escritor mineiro, em 1967. O livro reúne quarenta contos, os mais curtos de toda a obra: com cerca de três a cinco páginas. São textos que revelam ser a genialidade do autor de Grande Sertão: Veredas não se limitar às narrativas longas. O cenário, as personagens e o estilo inconfundível de Rosa estão presentes somam-se ainda com quatro prefácios distribuídos pelo volume. O título é reeditado no âmbito do trabalho de renovação da obra de GR pela Nova Fronteira.

Quinta-feira, 27/07

>>> Brasil: No âmbito da reedição da obra de Ariano Suassuna, iniciada neste ano, mais um título – O santo e a porca

A peça foi escrita em 1957. Nela, salienta-se a mistura do religioso e do profano, a presença da música e dos diálogos construídos por personagens altamente cômicas. Os protagonistas de O santo e a porca não se identificam com aqueles que detêm posições de mando e as autoridades se revestem de um caráter distante e negativo. Os alicerces do trabalho de Ariano já estão aqui lançados: são baseados em algumas técnicas da literatura de cordel e nos folguedos populares nordestinos. Sucesso há mais de quatro décadas. A comédia dividida em três atos narra a história de Euricão Árabe, um velho avarento, devoto de Santo Antônio. que esconde em sua casa uma porca cheia de dinheiro.

>>> Brasil: Uma edição especial para O menino do pijama listrado

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto. Também não faz ideia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O livro de John Boy é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável. A Companhia das Letras preparou uma edição de luxo, que comemora os dez anos de lançamento da obra; o livro traz uma introdução inédita do autor e ilustrações do premiado artista Oliver Jeffers.

Sexta-feira, 28/07

>>> Brasil: Algumas bases do pensamento de Oswald de Andrade

A Penguin / Companhia edita um volume da Coleção Grandes Ideias com quatro textos lapidares de Oswald de Andrade: "Manifesto da Poesia Pau Brasil", "Manifesto Antropófago", "falação" e "Antologia". Nessa seleta, é possível ter acesso ao projeto estético cultural e à crítica contundente sobre a ideia de nação, com a marca da inteligência, do humor e do poder de síntese do mais transgressor dos modernistas. Publicado originalmente no Correio da Manhã em 1924, "Manifesto da Poesia Pau Brasil" sugere novos princípios para a poesia. Ao louvar "a contribuição milionária de todos os erros", o autor propõe a fusão de elementos eruditos e populares e a incorporação do cotidiano e da oralidade. Já o "Manifesto Antropófago", incluído pela primeira vez na Revista de Antropofagia, foi concebido em 1928. Ao questionar a noção de identidade brasileira, a obra viria a se tornar uma mais cultuadas de Oswald. Os outros dois textos são menos conhecidos do público: "falação", publicado como abertura do volume de poemas Pau Brasil, de 1925, é uma síntese das ideias enaltecidas no "Manifesto da Poesia Pau Brasil", e "Antologia", escrito em 1928, levou o trocadilho ao extremo, com seu conteúdo cômico e extremamente combativo.

>>> Brasil: Laços, o provocador romance do italiano Domenico Starnone

Laços é um romance provocativo e de leitura irresistível sobre os vínculos familiares e as amarras do casamento. Uma obra vulcânica e marcante escrita por um dos principais autores italianos da atualidade. Vanda e Aldo estão casados há mais de cinco décadas. Ao voltarem de uma agradável semana de férias na praia, eles encontram seu apartamento completamente revirado. Reorganizando seus papeis, Aldo se vê forçado a encarar lembranças de décadas atrás: os anos que abandonara Vanda e os filhos para viver com outra mulher. As fissuras causadas por esse trauma familiar permanecem latentes no presente. A tradução é de Mauricio Dantas e a edição da @Todavia

>>> Brasil: Jogo de cena em Bolzano, novo título de Sándor Márai no Brasil

Condenado pela Inquisição por levar uma vida herética, Giacomo Casanova passou dezesseis meses numa prisão de segurança máxima até dela conseguir fugir. Partindo desse episódio, Sándor Márai empresta artifícios da opereta para criar um envolvente jogo de cena, imaginando que, três dias depois da fuga, os forasteiros teriam chegado em Bolzano, no extremo norte da Itália. Lá, o mal-afamado veneziano usará todas as artimanhas para bancar sua dispendiosa vida, mas terá seu destino abalado pelo encontro com fantasmas de um passado nem tão distante. Espécie de prévia de As brasas, este romance de 1940, até agora inédito no Brasil, também coloca em cena dois homens que se veem como joguetes do habilidoso ficcionista. O grande autor húngaro, além de inspirado criador de aforismos, demonstra mais uma vez sua maestria na construção de monólogos filosóficos saborosos, que tocam nos temas mais caros à literatura: destino, amor, honra, vaidade, vida e morte.

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